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SER E CRESCER

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Convidamos o nosso gerente comercial, Alessandro Coelho, para escrever o artigo SER E CRESCER deste mês. Ele escolheu um tema bastante pertinente, que sem dúvidas nos propõe uma reflexão sobre o equilíbrio da carga de trabalho e da organização dos momentos do nosso dia a dia.

O poder das pausas

Uma mera ilusão

“Steve Wanner é um sócio respeitado na Ernst & Young, casado, pai de quatro filhos. Quando nos encontramos há um ano, ele trabalhava de 12 a 14 horas por dia, sentia-se sempre exausto e tinha dificuldade em se dedicar à família à noite, o que o deixava culpado e insatisfeito. Dormia mal, não tinha tempo para se exercitar e raramente fazia refeições saudáveis. Era comum que almoçasse um sanduíche qualquer andando pela rua ou na mesa de trabalho.

A experiência de Wanner não é uma exceção. A maioria de nós reage às crescentes exigências de trabalho com o aumento da carga horária, o que inevitavelmente acarreta prejuízos físicos, mentais e emocionais. ” ¹

Te pareceu familiar?

Nos acostumamos tanto à cenários semelhantes ao relatado acima que chegamos ao ponto de nos sentirmos, em certa medida, culpados quando temos uma rotina de trabalho “comum”. E este “comum” (entre aspas mesmo até que nos acostumemos à ele) é o ponto de equilíbrio que devemos traçar como meta. Equilíbrio em todas as áreas, mas convenhamos, passamos cerca de um terço do nosso dia no ambiente de trabalho.

Nos últimos onze anos, tenho trabalhado em ambientes acelerados e estressantes. Posso atestar que, por vezes, ficamos com impressão de termos moldado nosso corpo, mente e até às emoções ao mundo “ VUCA” (Volatilidade, Incerteza, Complexidade, Ambiguidade – em inglês) e que podemos resistir à tudo – uma mera ilusão.

Quantas vezes nos sentimos, ao final de um dia de trabalho, esgotados?

O que acontece em seguida é uma sequência de pequenos “desastres”: vamos para nossas casas sem cabeça para nada. Passar um tempo com a família, por vezes, torna-se um momento em que nossa mente é automaticamente levada ao limbo. Nossa alimentação perde a qualidade, o sono já não é suficiente, todo o organismo se desregula. Não conseguimos nos reconhecer como indivíduos e muito menos como profissionais.

Começamos, então, a não só terminar o dia de trabalho esgotados, mas a iniciar nossos dias totalmente sem bateria. 

“Os rituais e os comportamentos que Wanner adotou para administrar melhor sua energia foram transformadores (…). Wanner ainda fica muitas horas no trabalho, mas consegue se recuperar durante o dia. Ele sai da sua mesa para almoçar e em geral dá outra caminhada ao ar livre à tarde. Quando chega em casa à noite, está mais relaxado e se sente disposto para interagir com a esposa e as crianças” ²

Cronos e Kairós

O professor Carlos Júlio em seu livro “O que eu não posso deixar de fazer hoje”, ilustra muito bem a guerra que enfrentamos diariamente entre dois tempos, ambos indelegáveis, completamente nossos.

Cronos e Kairós são divindades da mitologia grega que representam os tempos externo e interno. Cronos é um tirano, não espera, não compreende, não perdoa, “nos persegue com seu chicote cobrando execução e pontualidade”. Este é o tempo externo, do ambiente, da tarefa, da entrega, da altíssima performance em detrimento de Kairós. Este último, é o nosso tempo interno, “que desejamos, com qualidade, realizações, felicidade”, tão poderoso quanto sua contraparte, “acontece independentemente dos rigores de Cronos.” ³

E é no meio da guerra entre estas duas poderosas entidades que estamos posicionados diariamente. Neste ambiente hostil, surge uma poderosa ferramenta: a pausa, ou melhor as pausas (sim no plural). Definir intervalos em nossa jornada, para “recarregar a bateria”, traz benefícios à saúde, às relações que temos e, acredite, à nossa produtividade no trabalho.

“Um estudo elaborado pela Draugiem Group, uma organização da Letônia que reúne várias startups, identificou que uma longa jornada de trabalho não melhora seu rendimento. O que realmente importa, de acordo com a pesquisa, é como você divide seu tempo de trabalho e a estrutura de execução das suas tarefas.”

‘Não é que a rotina de trabalho de oito horas esteja obsoleta, mas ela simplesmente mudou para um modelo de horas mais flexíveis.’ – explicou à BBC Artis Rozentals, diretor executivo do Draugiem Group.” 4

O mundo mudou, as rotinas aceleraram, a revolução pós-industrial nos trouxe à uma sociedade em que, segundo o professor Victor Paradela, “as mudanças costumam desabar sobre nós como furacões, destruindo tudo que existia.”5  Diante deste imenso desafio que se tornou o dia a dia do trabalhador é indispensável respirar, arrefecer nosso sistema, que, lembre-se, é totalmente humano, e aprender a compreender e dominar Cronos e Kairós. Afinal, o tempo é nosso, ou melhor, ambos são. 

As pausas funcionam perfeitamente para este propósito. Portanto, sugiro o seguinte: quando planejar seu dia, planeje também suas pausas. Separe alguns momentos do seu dia para se levantar de sua cadeira, fazer uma caminhada, ou estacionar seu carro em uma praça, ou até mesmo na beira da estrada para contemplar um belo amanhecer ou um pôr-do-sol. Alguns minutos preciosos farão, certamente, uma diferença significativa na sua jornada. E nestes momentos, desligue-se e se conecte com quem mais pode te ajudar na caminhada: você mesmo.


Para finalizar, sugiro que faça um exercício, com o Professor Sandro Bosco, que considero muito válido e, inclusive compartilhei com meus colegas de equipe. Dois minutos são suficientes.

Referências

¹, ² SCHARTZ, Tony / MCCARTHY, Catherine. Administre sua energia, não seu tempo. Gerenciando a si mesmo – Artigos fundamentais da Harvard Business Review sobre como administrar a própria carreira. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

³ JÚLIO, Carlos. O que não posso deixar de fazer hoje?: Como uma única pergunta pode mudar sua relação com o tempo, assegurar produtividade no trabalho e empoderar sua vida pessoal. São Paulo: Planeta, 2020.

4 BBC News Brasil: O que é a regra do 52-17 e como ela pode nos ajudar a ser mais produtivos no trabalho. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/geral-43705509 >

5 PARADELA, Victor. Modelos Contemporâneos de Gestão. <http://victorparadela.com/Turmas/Modelos.de.Gestao/SlidesVictor.ppt >

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